A possível saída de Hulk do Atlético não é apenas uma negociação de mercado.

É um recado.

E não é um recado bonito.

Hulk não é “mais um jogador” do elenco. Para muitos atleticanos, ele é o maior ídolo da história recente do clube, para alguns, o maior de todos. Não só pelos gols, títulos ou números, mas principalmente pela identificação rara com a Massa.

Hulk ganhou quase tudo o que era possível ganhar com a camisa do Atlético.

Disputou os principais torneios nacionais e internacionais.

Foi protagonista.

Foi símbolo.

Foi liderança.

E principalmente: Foi espelho da torcida.


Hulk e a Massa: identificação que não se fabrica

Hulk nunca foi apenas desempenho técnico.
Ele encarnou algo que o torcedor reconhece de longe: intensidade, competitividade, entrega, inconformismo com a derrota.

A Massa atleticana se vê nele porque Hulk joga como torcedor gostaria de jogar:
brigando por cada bola, reclamando, provocando, sentindo.

Esse tipo de identificação não se compra no mercado.
Ela se constrói no tempo.

Por isso, quando a relação começa a azedar, o problema raramente é só futebol.

A SAF fria e o discurso que não conversa com o torcedor

Desde a consolidação da SAF, o Atlético passou a se comunicar de outra forma.
Mais corporativa.
Mais financeira.
Mais distante.

O discurso soa como apresentação de PowerPoint para investidor.
E o torcedor não é investidor.
É o maior cliente emocional do esporte.

Não é sobre sair. É sobre como sair.


Hulk é competitivo.
Hulk acredita que ainda tem lenha para queimar.
E, olhando para o futebol atual, isso não é delírio.

A ciência evoluiu.
O cuidado físico evoluiu.
Atletas longevos não são exceção raras, especialmente os que se cuidam, como ele.

O Atlético, como clube e como SAF, tem todo o direito de entender que Hulk não é mais pilar do seu projeto esportivo. Isso faz parte do jogo.

O que não faz parte é tratar um ídolo desse tamanho como se fosse apenas um ativo depreciado.

Quando surgem falas sobre:

  • estátua na Arena MRV
  • jogo de despedida
  • homenagens protocoladas

o recado implícito é cruel:
“Seu tempo acabou. Aceite.”

Para um atleta que ainda se vê competitivo, isso soa menos como reconhecimento e mais como empurrão para fora.

Forçado, frio, protocolar e irritante

Homenagem não pode ser usada como anestesia para ruptura mal conduzida.
Ídolo não se despede por comunicado seco.
Ídolo não se resolve em reunião fria.

E Hulk sente isso e ele deixa claro quando se posiciona da forma que fez.

O incômodo não é com o fim de ciclo.
É com a forma.

Quando a relação vira apenas institucional, algo se quebra.

Fluminense: o ambiente que acolhe quem ainda quer jogar

Se a ida ao Fluminense se confirmar, ela faz sentido.
E não só tecnicamente.

O futebol brasileiro já viu esse filme antes.

Fábio, um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro, foi tratado como descartável. Encontrou no Fluminense um ambiente que acreditou nele. Resultado?

  • protagonismo
  • respeito da torcida
  • títulos inéditos
  • longevidade em alto nível

O Fluminense hoje oferece algo que Hulk procura:
ambiente competitivo, acolhimento e protagonismo possível.


No fim, quem perde quando a saída é mal feita?

Quando um ídolo sai mal, ninguém ganha de verdade.

  • O Atlético perde narrativa, memória e parte da conexão emocional com sua história recente.
  • A SAF reforça a imagem de distanciamento e frieza.
  • O torcedor sente que tudo virou planilha.

E isso cobra preço.

Porque futebol não vive só de equilíbrio financeiro.
Vive de símbolos.

O ponto final (que ainda não deveria ser final)

Hulk não está errado por querer seguir protagonista.
O Atlético não está errado por repensar seu projeto.

O erro está na forma como isso é conduzido.

Ídolos não pedem privilégio eterno.
Pedem respeito à história que ajudaram a construir.

Quando isso se perde, o clube até segue.
Mas algo fica pelo caminho.

Porque o jogo não termina no apito final.
Ele continua na memória.
E na forma como você trata quem ajudou a escrever sua história.

Esse é o O Jogo Fora do Jogo.

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Uma resposta para “Opinião: Hulk, Atlético e o erro de tratar ídolos como planilha”

  1. Avatar de Tálida Sampaio
    Tálida Sampaio

    Perfeito. Não é sobre o Hulk sair ou ficar, é sobre como isso está sendo feito. Ídolo não é ativo de planilha, é símbolo, memória e conexão emocional. 🎯⚽

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